Rir é o Melhor Remédio

Atualizado: 18 de Set de 2019

Rir desperta os hormônios do prazer, fortalece o coração e as defesas do organismo, turbina a criatividade e ainda queima calorias.

O riso é um “medicamento” 100% orgânico, gratuito e contagiante, idealizado pela fisiologia humana para ser consumido sem moderação. “Ele relaxa o corpo e a mente, fortalece as defesas do organismo, melhora a circulação e a pressão arterial e libera endorfina, hormônio que promove uma sensação de bem-estar geral”, afirma o médico e homeopata Eduardo Lambert, autor de A Terapia do Riso – A Cura pela Alegria (Pensamento). Quem ri pouco pode estar padecendo dos males provocados por uma doença chamada “déficit de alegria”. Cardiologistas do Centro Médico de Maryland, Estados Unidos, comprovaram que a serotonina, neurotransmissor relacionado ao bem-estar, liberada pelo riso protege o coração contra infarto, trombose e acidente vascular. No Japão, cientistas ligados à Universidade de Tsukuba verificaram a queda da taxa de glicose em grupos de diabéticos convidados a assistirem apresentações teatrais cômicas. O ato de rir ainda se configura como a mais prazerosa das ginásticas. A cada 15 minutos de prática, queimamos 40 calorias, segundo uma pesquisa realizada pela Universidade Vanderbilt , nos Estados Unidos.

O riso proveniente do intelecto, como aquele disparado após ouvirmos uma piada, não é usado. O alvo é o aspecto lúdico da experiência. Num primeiro momento, a risada é induzida pelas terapeutas por meio de exercícios vocais, como a repetição do mantra “ho ho ho, ha ha ha”. “Esse som reflete-se no abdômen, ponto-chave da risada”, diz Ursula L. Kirchner , fundadora do Clube da Gargalhada, em Belo Horizonte. Nas sessões, individuais ou coletivas, também são sugeridas gargalhadas temáticas, como a do ônibus lotado, inspirada nessa situação cotidiana. “Seguramos na barra imaginária do veículo e trememos, balançamos o corpo de um lado para o outro. A graça aparece naturalmente e contagia o grupo”, afirma Mari Tereza Nascimento Vieira, outra fundadora do clube.O corpo humano não sabe diferenciar o riso induzido do espontâneo. Portanto, vale a pena enganá-lo. “A reação neurofisiológica é similar, ou seja, o cérebro produz nos dois casos os chamados hormônios da alegria: endorfina, dopamina e serotonina”, diz Ursula. No entanto, dependendo do estado emocional do praticante, a gargalhada pode demorar a brotar.A dupla, pioneira na América do Sul, manuseia uma arma bastante poderosa. Cada vez mais empregada não só em grupos terapêuticos como também em empresas mundo afora. “A terapia do riso melhora a autoestima e a autoconfiança, estimula a criatividade e a espontaneidade, rejuvenesce o espírito, relaxa o corpo e ainda nos ajuda a relativizar os problemas”, diz Mari.O riso, além de trazer aquela sensação de bem-estar que todo mundo conhece, pode ser um grande aliado da saúde, ajudando a prevenir doenças e auxiliando o organismo a cumprir as suas funções diárias. É benefício da cabeça aos pés! Veja aqui tudo o que uma boa gargalhada pode fazer por você: 1. Reduz o risco de doenças cardíacas Uma pesquisa na Universidade de Loma Linda, na Califórnia (EUA), afirma que o riso pode reduzir o risco de doenças cardíacas. A equipe separou dois grupos de pessoas que tinham sofrido um ataque cardíaco e estavam sob cuidados médicos. O primeiro grupo assistia a vídeos de humor durante 20 minutos, todos os dias.Após um ano, esse grupo apresentou uma queda de 66% da proteína C-reativa, que é um marcador da inflamação e do risco de problemas cardiovasculares. A queda dessa substância no outro grupo foi de apenas 26%. Como conclusão, as pessoas que riram mais tiveram o risco de problemas cardíacos reduzido significativamente. 2. Pode aumentar os níveis do bom colesterol (HDL) no sangue Dar boas risadas pode aumentar os níveis de colesterol bom no sangue, de acordo com uma pesquisa realizada na Universidade Loma Linda. Os pesquisadores acompanharam 20 pacientes diabéticos com altas taxas de colesterol ruim no sangue. Todos usavam remédios para controlar esses problemas. Metade desses pacientes continuou com o tratamento padrão, enquanto a outra metade, além de tomar a medicação, assistia a filmes de comédia diariamente, durante 30 minutos. Após um ano, o grupo que foi estimulado a gargalhar elevou seus níveis de HDL, o bom colesterol, em até 26%. No grupo de controle o aumento foi de apenas 3%. 3. Reduz a pressão arterial Um estudo realizado na escola de medicina da Universidade de Baltimore, nos Estados Unidos, descobriu que rir diminui a pressão arterial, enquanto o estressa a aumenta. A equipe estudou 20 voluntários saudáveis, não fumantes, com idade média de 33 anos. Eles assistiam primeiro a um trecho de um filme que causasse estresse e, 48 horas depois, viam um filme de comédia.Antes de assistir a cada filme, os voluntários ficavam em jejum e submetiam-se a testes para saber como vasos sanguíneos respondiam a súbitos aumentos no fluxo de sangue. Ao final do estudo, foi revelado que o estresse reduz o fluxo de sangue em 35%. Já as risadas provocadas pela comédia fizeram com que o fluxo aumentasse 22%, reduzindo a pressão arterial. Paralelo a isso, ocorria uma limpeza dos vasos sanguíneos. 4. Limpa e fortifica os pulmões De acordo com a especialista em terapia do riso Conceição Trucom, dona do site Doce Limão, quando damos uma boa gargalhada, a absorção de oxigênio pelos pulmões aumenta. Inalamos mais ar e, com isso, a expiração também fica mais forte. "Com maior ventilação pulmonar, o excesso de dióxido de carbono e vapores residuais é rapidamente eliminado, promovendo uma limpeza ou desintoxicação". Ou seja, rir limpa os seus pulmões e ainda os deixa mais fortes! 5. Melhora a digestãoDe acordo com a psicóloga Fátima Niemeyer, da Sociedade Brasileira de Psicologia, os músculos que são mais estimulados quando rimos são os abdominais. Esses movimentos fazem uma espécie de massagem em nosso sistema gastrointestinal, melhorando a digestão. "Essa massagem também revigora todo o trabalho hepático", diz Conceição. 6. Ativa a circulação do sangue O ritmo cardíaco acelera quando começamos a rir. Os batimentos podem atingir até 120 pulsações por minuto, em comparação com as 70 pulsações por minuto quando estamos em repouso. "Quando a pulsação aumenta, o sangue circula mais intensamente no organismo, o que aumenta a oxigenação de todas as células, tecidos e órgãos", afirma Fátima. Isso faz com que nosso organismo funcione a todo vapor!📷7. Reduz o estresse e fortalece o sistema imunológico "Durante uma sessão de gargalhadas, os níveis de cortisol e adrenalina - hormônios do estresse - baixam", diz Conceição. Além disso, nosso cérebro passa a produzir endorfina, hormônio que nos deixa relaxado.Isso faz com que o corpo consiga produzir mais células de defesa, que ficam mais ativas, fortalecendo o sistema imunológico e blindando o organismo contra doenças. Segundo Conceição, as células que ganham vantagem na produção - quando os níveis de estresse abaixam - são os linfócitos B, responsáveis pela produção de anticorpos; os linfócitos T, que são verdadeiros rastreadores de vírus e bactérias; a imunoglobina A, um anticorpo essencial no combate às infecções respiratórias; e as células NK, que são destruidoras de células cancerígenas. 8. Combate as rugas Ao dar boas risadas, nós movimentamos 12 músculos faciais e, ao dar gargalhadas, movimentamos 24 desses músculos. Quando conversamos e gargalhamos ao mesmo tempo, então, são 84 músculos. Todo esse exercício facial estica a pele, retardando o aparecimento de rugas. 9. Eleva a autoestima "O sorriso melhora o bom humor, eleva a autoestima te deixa mais seguro", diz a psicóloga Melina Blanco Amarins, do Hospital Albert Einstein. Ela afirma que a Terapia do Riso nos hospitais é capaz levantar o alto astral do paciente e diminuir o sofrimento da internação, deixando-o mais confiante. 10. Melhora a saúde dos idosos De acordo com uma pesquisa feita pela equipe da Universidade de Loma Linda, uma gargalhada é tão saudável quanto a prática de exercícios físicos. Isso porque ela estimula a circulação, produz endorfina e também movimenta nossos músculos, não só do abdômen, mas das pernas, braços e pés. Os pesquisadores afirmaram que o riso pode ser a chave para a saúde de idosos que não conseguem praticar atividades físicas. 11. Faz bem a você e ao próximo A psicóloga Melina explica que o sorriso, além de trazer todos esses benefícios a nossa saúde, ainda é capaz de nos aproximar das pessoas conhecidas e aumentar as chances de fazer novas amizades. Afinal, ele não deixa de ser uma forma de comunicação. "Sorrir faz parte das relações sociais e compartilhá-lo faz bem a você a ao próximo!", diz Melina.

Quem ri mais, se relaciona melhorSegundo estudo, gargalhar é poderoso analgésico e alivia a dor em até 10% Uma pesquisa da Universidade de Oxford, na Inglaterra, comprovou o ditado popular de que rir é mesmo o melhor remédio. Mas não é qualquer risada não, e sim, uma boa gargalhada. Segundo a pesquisa, ela pode reduzir a sensação de dor em até 10%, graças à liberação de endorfina no organismo. Com isso, além de criar um estado leve de euforia, essa substância química também amenizaria a sensação de dor. Durante o levantamento de dados, os cientistas analisaram primeiro os limiares de dor dos voluntários. Quanto mais alto o limiar, menor é a sensação de dor que a pessoa sente. Em seguida, os indivíduos foram divididos em dois grupos: aqueles que assistiram a 15 minutos de vídeos de comédias e aqueles que viram um material considerado chato, como programas de golfe. Descobriu-se, então, que os voluntários que haviam gargalhado eram capazes de suportar até 10% a mais de dor, sempre em relação ao estado de antes de rirem. Para surpresa dos cientistas, o grupo que assistiu aos programas considerados chatos se mostrou menos capaz de aguentar a dor após verem o conteúdo. O tipo de riso, no entanto, fez diferença no limiar de dor. Sorrisos discretos e risadas não provocaram quaisquer efeitos fisiológicos, apenas as gargalhadas. Além disso, comédias do tipo pastelão pareceram atingir os efeitos mais notáveis. Gargalhada que se aprende Não à toa, gargalhar ao redor do mundo já virou terapia conhecida como Ioga do Riso, ou risoterapia. Internacionalmente conhecida, a técnica de gargalhar para superar a dor nasceu 1995 pelas mãos do médico indiano Madan Kataria. E apesar de ainda nova no Brasil, já tem escola e professores por aqui. Defensoras da gargalhada com analgésico para dores físicas e emocionais, as sócio-fundadoras do Clube da Gargalhada do Brasil - primeiro do gênero na América do Sul - comprovam na prática o que o estudo inglês apresentou. A Dra. Úrsula L. Kirchner, Ph.D. Médica-Dentista, doutora em odontologia pela Universidade Livre de Berlim e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) conta que superou as dores de um acidente grave onde teve fratura exposta dos ossos dos braços e pernas gargalhando enquanto aguardava atendimento médico. Já Mari Thereza N. Vieira superou a dor emocional da separação com a terapia do riso. “Cientificamente a gargalhada também libera no organismo dois hormônios importantes, a dopamina (do bem-estar), e a serotonina, hormônio anti-estresse”, explica a pesquisadora. Mari completa dizendo que muita gente pensa apenas na dor enquanto dor física, mas que a gargalhada também é um poderoso analgésico emocional. “Um exemplo disso é o grande Charles Chaplin, que viveu na grande depressão, era filho de um pai alcoólatra, no entanto é um dos grandes gênios da comédia”, conta. Com essa crença é que o Clube da Gargalhada do Brasil ensina por meio da risoterapia as pessoas a superarem dificuldades. Mas como diz o estudo, não é qualquer gargalhada que serve. Ela pode até ser uma gargalhada treinada, como ensinam as duas pesquisadoras, mas precisa ser forte, profunda e intensa, ou seja, tem que vir de dentro. “A gargalhada eficaz contra a dor é aquela que mexe com todos os músculos do abdômen e que toca realmente as emoções”, ensina Úrsula. Justamente pelo lado emocional é que o estudo inglês afirma algo que as “professoras do riso” também defendem. Daí a hipótese levantada pela pesquisa de que graças ao riso, os primeiros humanos foram capazes de criar comunidades com mais de 100 pessoas - enquanto os macacos, por exemplo, se reuniam em grupo com no máximo 50 animais. A pesquisa foi publicada no periódico Proceedings of the Royal Society B. Agêcia Hélice



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